Inflação bate a porta dos supermercados no Brasil
Supermercado em BH - Foto: Felipe Jesus.
A sensação de que o carrinho de compras está mais caro não é apenas impressão. Embora 2025 tenha fechado com uma inflação de alimentos relativamente moderada (2,95%), o cenário para 2026 aponta para uma nova pressão nos preços, com especialistas projetando que a alta nos supermercados possa chegar a 4% ou 4,5%.
Aqui está um resumo do que está acontecendo nas gôndolas e o que esperar para os próximos meses:
1. O que mais subiu (e o que deu trégua)
Os dados consolidados de 2025 mostram que alguns itens foram os verdadeiros "vilões" do orçamento, enquanto outros ajudaram a segurar o índice:
| Produtos em Alta (2025) | Variação (aprox.) | Produtos em Queda (2025) | Variação (aprox.) |
| Café moído | +35% a +43% | Laranja-lima | -35% |
| Pimentão | +30% | Feijão-preto | -31% |
| Chocolate em barra | +27% | Batata-inglesa | -27% |
| Carnes (Bovinas) | +1,7% (em aceleração) | Azeite de oliva | -20% |
Gôndolas no supermercado em BH - Foto: Felipe de Jesus
2. Por que os preços continuam pressionados?
Mesmo com a inflação geral controlada, três fatores principais mantêm os preços dos supermercados em alerta:
* Ciclo da Pecuária: Após um período de preços estáveis, o preço da carne bovina deve voltar a subir em 2026 devido à menor oferta de animais para abate (menos fêmeas disponíveis). Isso gera um "efeito dominó" no frango e no suíno, que sobem por tabela.
* Fatores Climáticos: O excesso de calor ou secas prolongadas no início de 2026 pode afetar a safra de hortifruti (o grupo "in natura"), que é muito sensível a variações de temperatura.
* Câmbio e Commodities: O café, por exemplo, continua caro devido à baixa oferta global e ao dólar, que torna a exportação mais vantajosa que a venda interna.
3. O que esperar para 2026?
A expectativa é de um movimento de compensação. Como os alimentos subiram pouco em 2025 comparado a anos anteriores, a tendência é que os preços se ajustem para cima este ano. O mercado financeiro (Boletim Focus de 12/01/2026) projeta o IPCA total em 4,05%, com a alimentação no domicílio pesando mais no bolso do que no ano passado.
> Nota importante: O "poder de compra" do brasileiro segue desafiado pelo alto nível de endividamento e pelos juros ainda elevados, o que faz com que qualquer aumento nos alimentos básicos seja sentido com mais força.


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